Agora que você já entendeu o que é dedo em gatilho vamos ver em detalhes como é a cirurgia para tratamento dessa doença, quais o riscos e como é a reabilitação. Caso não tenha visto a página sobre a doença, saiba mais AQUI.

Como é feita a cirurgia exatamente?

A cirurgia inicia com um corte na palma da mão de 1 a 1,5 centímetros de comprimento, com localização diferente a depender do dedo acometido. Na figura abaixo são mostradas as possíveis incisões utilizadas. A gordura subcutanea é afastada, até encontrar a polia A1, lembra dela? Falamos sobre ela na página sobre a doença. Ele está representado por essa estrutura em cima do tendão flexor no vídeo. Pois bem, após encontrado a polia A1, é realizado um corte nessa estrutura para que o tendão possa correr livremente, com cuidado para não danificar os nervos digitais que passam dos lados do tendão. Depois de liberado o tendão é realizada sutura da pele. O procedimento todo dura em torno de 20 minutos. A anestesia pode ser feita de forma local com sedação (remédio para dormir apenas, sem necessidade de intubação), o que diminui o risco de complicações anestésicas, ou pode ser feita ainda acordado com anestesia local, sem sedação.

Mas pera aí, eu estava atento e vi na página sobre o dedo em gatilho que as polias são importantes para manter o tendão próximo ao osso e tornar a contração muscular mais eficiente em movimentar os dedos. Essa polia não vai fazer falta? Muito bem, o raciocínio está correto, entretanto como será liberada a polia A1, as outras polias irão dar conta do recado e não ha nenhuma repercursão funcional em liberar a polia A1.

Cicatriz

Na figura podemos ver as incisões, perceba que normalmente é possível realizá-las nas pregas da palma da mão o que torna a cicatriz bastante estética, algumas vezes quase imperceptíveis. Entretanto, a cicatriz depende da propensão genética de cada indivíduo e da técnica de sutura, portanto varia de pessoa a pessoa.

Veja abaixo os riscos da cirurgia e suas possíveis complicações (são semelhantes a cirurgia para síndrome do túnel do carpo, com algumas peculiaridades)

dedo em gatilho
Quais são os principais riscos da cirurgia?
  • Infecção. Esta complicação pode ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico. Nesta cirurgia especificamente o risco é em torno de 0,4%, ou seja, a cada 1000 pessoas que fazem a cirurgia 4 apresentam esta complicação. Caso ocorra, a maioria das vezes é resolvida com antibióticos orais, sem necessidade de nova cirurgia.
  • Lesão neurovascular.  Essa é a complicação que se deve tomar o maior cuidado durante a cirurgia. Os nervos digitais passam próximos a polia A1 e deve se ter muito cuidado para não lesá-los ao liberar a polia, principalmente no polegar onde a proximidade é ainda maior.  Nem sempre isso ocorre por erro médico, algumas pessoas possuem variações da anatomia, ou outras doenças que alteram a localização das estruturas. Contudo, quando realizada cuidadosamente por profissional treinado na área sua ocorrencia é rara (menos de 0,1% das cirurgias)
  • Riscos da anestesia. Neste caso o risco é muito baixo devido ao pequeno porte da cirurgia. Normalmente a anestesia é local com uma sedação (remedio para relaxar e dormir), sem necessidade de intubação. Nos casos de cirurgia acordado com anestesia local apenas, o risco da sedação é eliminado.
  • Cicatriz dolorosa. Incidência em torno de 2%. Pode resolver com massagem cicatricial ou espontaneamente. Mais raramente, pode se desenvolver uma síndrome dolorosa complexa. Nesse caso, deve ser tratado com fisioterapia e medicações. É três vezes mais comum em mulheres.
  • Formação de arco de corda. Pode ocorrer caso seja liberada a polia A2 completamente de forma inadvertida junto com a polia A1. Essa complicação é rara e pode causar dificuldade para fechar o dedo e um tendão palpável na pele, pois não ha polia para mante-lo junto ao osso. Pode ser necessária uma nova cirurgia para reconstruir a polia A2
  • Rigidez. Pode ocorrer após qualquer cirurgia ou trauma na mão, mas nesse tipo de cirurgia é infrequente e facilmente prevenido com exercicios pós-operatórios (ver Six-Pack).

E o pós operatório?

Nos primeiros dois dias é feito um curativo alcochoado, mais volumoso para conforto. Deve-se evitar o uso das mãos, e mantê-la elevada na altura do coração. São utilizados medicamentos analgésicos de horário para evitar dor.

A partir do terceiro dia pode ser trocado o curativo por um menor e são iniciados movimentos dos dedos e punho para evitar rigidez. Clique aqui para conhecer os exercícios (Six-pack). O medicamento para dor deixa de ser usado de horário e é utilizado somente se houver dor. Pode ser iniciado o uso da mão para atividades leves, contanto que não cause desconforto. A mão pode ser lavada no banho, secada e trocado o curativo.

No momento que a ferida operatória está seca, sem saída de secreção, os germes não conseguem penetrar na ferida, portanto, não é necessário curativo. Mas deve ser mantida sempre limpa. No 15˚ dia são retirados os pontos. Com um mês é liberado o uso da mão sem restrições. Normalmente, não é necessária fisioterapia após a cirurgia.

sprained-wrist

Lembrando que esta evolução ocorre para maioria dos pacientes, mas cada pessoa é diferente e essas orientações podem mudar de acordo com a evolução do caso. Portanto, siga sempre as orientações do seu médico.

Veja agora um dedo em gatilho do polegar tratado de forma cirúrgica com o paciente acordado e mexendo o dedo quando solicitado. É possível ver a melhora imediata.

Quer saber mais como essa e outras cirurgias podem ser feitas com o paciente acordado?

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