Vamos ver agora como é realizada a cirurgia para rizartrose.

Lembra do osso do carpo que comentamos aqui que merecia nossa atenção especial? Pois bem, esse osso é o trapézio. Existem diversas técnicas para realizar cirurgia para rizartrose, entretanto quase todas envolvem a retirada do trapézio, também chamada de trapezectomia. Mas não se assuste, é possível retirar esse osso sem grandes prejuízos para a função da mão. Com a retirada do trapézio, a dor melhora muito pois a articulação desgastada e dolorosa deixa de existir.
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Você esta dizendo então que esse osso era completamente inútil?

Não é bem assim. Existe de fato lados negativos dessa cirurgia e por isso deve ser feita somente quando não ocorre melhora da dor pelos métodos conservadores. A principal delas é o encurtamento que ocorre com o polegar. Esse encurtamento não é visível quando você olha para uma mão que realizou essa cirurgia pois esse osso é pequeno, mas ele existe e causa uma pequena perda de força no polegar. Agora precisamos entender que essa perda de força ocorre quando comparamos com um polegar normal, muitas vezes o paciente está com tanta dor no local que o polegar já está enfraquecido, e após a cirurgia existe ganho de função da mão.

Agora que você ja entendeu o princípio da cirurgia para rizartrose, vamos complicar um pouco mais. Como comentei, existem diversas técnicas para essa cirurgia, todas elas incluem a retirada do trapézio, que a etapa mais importante. Entretanto, a diferença está no que fazer após a retirada. Alguns cirurgiões realizam a retirada simples, sem mais nenhum procedimento. Outros preferem adicionar algum método de estabilização para tentar diminuir o encurtamento e consequentemente a perda de força. Isso pode ser feito através da colocação de um fio de aço (conhecido como fio de Kirchner) entre os metacarpos e deixado no local por 4 a 6 semanas, ou com a utilização de tendões como sustentação do polegar.
Uma técnica não é necessariamente superior a outra e depende da experiencia de cada cirurgião e o desejo do paciente, converse com seu cirurgião para se informar qual cirurgia será realizada!

Vamos ver como é o corte feito na pele para realizar esta cirurgia.

Incisão para trapectomia simples

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Incisão para trapezectomia com suspensão utilizando tendão flexor radial do carpo

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Quais são os principais riscos da cirurgia?
  • Perda de força no polegar. Como já discutido essa é a principal desvantagem que pode ocorrer proveniente dessa cirurgia.
  • Infecção. Esta complicação pode ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico. Nesta cirurgia especificamente o risco é baixo, pois não são utilizados implantes, e não é uma cirurgia prolongada. Caso ocorra, a maioria das vezes é resolvida com antibióticos orais, sem necessidade de nova cirurgia.
  • Lesão neurovascular. Durante a cirurgia ramos do nervo sensitivo radial passam bem próximos da incisão e podem ser lesados. Quando ocorre pode levar a dor no local da incisão. Nem sempre acontece por erro médico, algumas pessoas possuem variações da anatomia, ou outras doenças que alteram a localização das estruturas. Contudo, quando realizada cuidadosamente por profissional treinado na área, a ocorrência é incomum.
  • Riscos da anestesia. Neste caso o risco é muito baixo devido ao pequeno porte da cirurgia. Normalmente a anestesia é local ou regional com uma sedação (remedio para relaxar e dormir), sem necessidade de intubação.
  • Cicatriz dolorosa. Incidência em torno de 2 a 5%. Pode resolver com massagem cicatricial ou espontaneamente. Em alguns casos, pode-se desenvolver uma síndrome dolorosa complexa. Nesse caso, deve ser tratado com fisioterapia e medicações. É três vezes mais comum em mulheres.
  • Recidiva. Retorno dos sintomas. Essa complicação não é frequente e pode se dar por outras causas de dor no local não reconhecidas antes da cirurgia. Pode ser necessária uma nova cirurgia em alguns casos
  • Rigidez. Pode ocorrer após qualquer cirurgia ou trauma na mão, mas pode ser prevenido com exercicios pós-operatórios (ver Six-Pack).
Exemplo de gesso para imobilização pôs operatória
Exemplo de gesso para imobilização pôs operatória-2

E o pós operatório?

Nessa cirurgia é necessária imobilização do punho e polegar por 6 semanas. O paciente sai da cirurgia com um curativo que inclui uma tala gessada que envolve o polegar. Esse gesso pode ser mantido por 6 semanas ou após uma semana ser trocado por uma órtese. A órtese pode ser removida para tomar banho e movimentar o punho.

Deve-se evitar o uso da mão nos primeiros dias, e mantê-la elevada na altura do coração. São utilizados medicamentos analgésicos de horário para evitar dor.

No 15˚ dia são retirados os pontos. Após as 6 semanas é interrompido o uso da imobilização, seja ela gesso ou órtese, e o paciente pode iniciar movimentos para fortalecimento e ganho de mobilidade. Usualmente com auxilio de fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, preferencialmente especialista em cirurgia da mão. Após 12 semanas, é liberado o uso da mão sem restrições.

Lembrando que esta evolução ocorre para maioria dos pacientes, mas cada pessoa é diferente e essas orientações podem mudar de acordo com a evolução do caso. Portanto, siga sempre as orientações do seu médico.

Pronto, agora você aprendeu um pouco sobre a cirurgia e está mais bem preparado para tomar uma decisão consciente se deseja realizar este tipo de procedimento ou não!

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