Como é feita a cirurgia exatamente?

A cirurgia inicia com um corte na palma da mão entre 2 a 3 centímetros de comprimento, a gordura subcutanea é afastada, até encontrar o ligamento transverso, lembra dele? Falamos sobre ele na página sobre a doença. Ele está representado por essa estrutura branca comprimindo o nervo no vídeo. Pois bem, após encontrado o ligamento transverso, é realizado um corte nessa estrutura para liberar o nervo, com cuidado para não danificar o nervo logo abaixo, nem seus ramos que estão nas proximidades. Depois de liberado é realizada sutura da pele. O procedimento todo dura em torno de 30 minutos. A anestesia pode ser local com sedação (remédio para dormir apenas, sem necessidade de intubação), o que diminui o risco de complicações anestésicas, ou pode ser feita ainda acordado com anestesia local, sem sedação.

Quais são os principais riscos da cirurgia?
  • Infecção. Esta complicação pode ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico. Nesta cirurgia especificamente o risco é em torno de 0,4%, ou seja, a cada 1000 pessoas que fazem a cirurgia 4 apresentam esta complicação. Caso ocorra, a maioria das vezes é resolvida com antibióticos orais, sem necessidade de nova cirurgia.
  • Lesão neurovascular. Durante a cirurgia alguma artéria da região, algum ramo do nervo mediano, ou o nervo mediano propriamente dito pode ser lesado. Podendo acarretar sangramentos, deficits de sensibilidade ou força.  Nem sempre isso ocorre por erro médico, algumas pessoas possuem variações da anatomia, ou outras doenças que alteram a localização das estruturas. Contudo, quando realizada cuidadosamente por profissional treinado na área sua ocorrencia é rara (menos de 0,1% das cirurgias)
  • Riscos da anestesia. Neste caso o risco é muito baixo devido ao pequeno porte da cirurgia. Normalmente a anestesia é local com uma sedação (remedio para relaxar e dormir), sem necessidade de intubação. Nos casos de cirurgia acordado com anestesia local apenas, o risco da sedação é eliminado.
  • Cicatriz dolorosa. Incidência em torno de 2%. Pode resolver com massagem cicatricial ou espontaneamente. Em alguns casos, pode se desenvolver uma síndrome dolorosa complexa. Nesse caso, deve ser tratado com fisioterapia e medicações. É três vezes mais comum em mulheres.
  • Recidiva. Retorno dos sintomas. Essa complicação não é frequente e pode se dar por falha em liberar totalmente o ligamento ou devido a nova compressão do nervo causada pela cicatrização. Pode ser necessária uma nova cirurgia em alguns casos
  • Rigidez. Pode ocorrer após qualquer cirurgia ou trauma na mão, mas nessa cirurgia é infrequente e facilmente prevenido com exercicios pós-operatórios (ver Six-Pack).

Como é a cicatriz?

O corte é de 2 a 3 centímetros na região da palma da mão, como exemplificado nas fotos. A cicatriz depende da propensão genética de cada indivíduo e da técnica de sutura, portanto varia de pessoa a pessoa, mas de maneira geral a cicatriz da cirurgia é discreta e bem aceita pela maioria dos pacientes que realizam a cirurgia.

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E o pós operatório?

Nos primeiros dois dias é feito um curativo alcochoado, mais volumoso para conforto. Deve-se evitar o uso das mãos, e mantê-la elevada na altura do coração. São utilizados medicamentos analgésicos de horário para evitar dor.

A partir do terceiro dia pode ser trocado o curativo por um menor e são iniciados movimentos dos dedos e punho para evitar rigidez. Clique aqui para conhecer os exercícios (Six-pack). O medicamento para dor deixa de ser usado de horário e é utilizado somente se houver dor. Pode ser iniciado o uso da mão para atividades leves, contanto que não cause desconforto. A mão pode ser lavada no banho, secada e trocado o curativo.

No momento que a ferida operatória está seca, sem saída de secreção, os germes não conseguem penetrar na ferida, portanto, não é necessário curativo. Mas deve ser mantida sempre limpa. No 15˚ dia são retirados os pontos. Com um mês o paciente pode retornar ao trabalho, mas com restrição de utilizar apenas objetos com menos de 1 kg. Após 6 a 8 semanas, é liberado o uso da mão sem restrições.

Lembrando que esta evolução ocorre para maioria dos pacientes, mas cada pessoa é diferente e essas orientações podem mudar de acordo com a evolução do caso. Portanto, siga sempre as orientações do seu médico.


 

Já pensou em fazer essa cirurgia acordado?

Essa cirurgia pode ser realizada sem necessidade de sedação, acordado e com mínima dor pelo método de WALANT

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