O que é tenossinovite de De Quervain?

Vamos por partes. Primeiro vamos entender o que é uma tenossinovite. Muitos tendões no nosso corpo são recobertos por uma bainha que ajudam no deslizamento e na proteção do tendão. Essa bainha é composta de um tecido chamado sinóvia. Quando existe uma inflamação do tendão juntamente com a sua sinóvia, denomina-se tenossinovite. Você poderá encontrar essa doença como simplesmente tendinite de De Quervain, é somente um modo mais simples de falar. Outro nome encontrado é tenossinovite estenosante de De Quervain, pois essa inflamação gera uma compressão do tendão no seu túnel, parecido com o Dedo em gatilho. E porque o De Quervain? De Quervain se refere ao médico que descreveu a doença pela primeira vez. Dr. Fritz de Quervain foi um cirurgião suíço e descreveu essa doença ocorrendo em lavadeiras no ano de 1895. Ok, mas ainda não expliquei o que é a doença. Vamos lá.

A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação de dois tendões que movimentam o polegar e suas bainhas na região do primeiro compartimento extensor no punho.

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tendinite

Primeiro compartimento extensor? Na região do punho passam muitos tendões que movimentam os dedos, polegar e o próprio punho, e cada tendão desses passam em um túnel ou compartimento específico, não tem bagunça. Esses túnel servem para direcionar a força do músculo e tornar o movimento mais eficiente. Na região do dorso do punho existem 6 compartimentos. O primeiro túnel ou compartimento é a estrela dessa doença. Nele passam os tendões dos músculos extensor curto do polegar e abdutor longo do polegar. Esses músculos levantam e abrem o polegar em relação aos outros dedos. Observe a ilustração entender melhor.

O primeiro compartimento extensor é bem apertado, não ha espaço sobrando. Quando esses tendões inflamam ocorre edema ou inchaço, aumentando a compressão o que causa mais dor e  inflamação levando a um ciclo vicioso.

O que causa a doença?

Como a grande maioria das doenças na medicina essa doença não tem uma causa específica. O que ocorre são varias condições juntas propiciando o aparecimento da doença. Entretanto, alguns movimento repetidos do punho e polegar podem agravar ou perpetuar a doença. Sabemos que a doença é 6 vezes mais comuns em mulheres provavelmente devido a alterações hormonais, principalmente na menopausa, por isso sendo mais comum entre 40 a 50 anos de idade. Outra fase muito comum para aparecimento da doença é logo após o parto e durante a lactação. Acredita que as alterações hormonais junto com os esforços necessários para o cuidado com o bebê propiciam o aparecimento.

Um movimento que vem sendo notado pela comunidade científica é o aumento da doença devido o uso exacerbado de smartphones principalmente para digitar mensagens de texto e jogos, pois eles acabam exigindo bastante do movimento do polegar. Já existem alguns estudos mostrando esta associação. Portanto, moderação é fundamental.

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Woman holding her sore hand

Quais os sintomas? Como diagnosticar?

Os sintomas da doença são dor no punho e na base do polegar que piora aos esforços. Podem estar presentes edema (inchaço) no local ou até crepitação do tendão ao passar pelo túnel. A dor pode ser pior logo ao acordar. Para diagnosticar a doença, muitas vezes basta a história contada pelo paciente dos sintomas e um bom exame físico. Entretanto, em alguns casos podem ser necessários outros exames como ultrassonografia e radiografias do punho e polegar. Existem outras doenças que podem simular ou confundir o diagnóstico pela proximidade com o local como rizartrose, cistos no punho, síndrome da intersecção, entre outras. Caso você tenha dores no punho ou polegar procure um cirurgião de mão ou médico ortopedista de sua confiança. Dr. Google não serve.

Quais as opções de tratamento?

Existem 4 modalidades de tratamento:

  • Imobilização com órtese. Pode ser eficaz no casos iniciais, entretanto tem um alto índice de falha quando utilizado isoladamente.
  • Fisioterapia. Pode ser eficaz em alguns casos e muitos cirurgiões prescrevem antes de realizar a cirurgia. Entretanto, não existem estudos que comprovam a sua eficácia.
  • Infiltração do local com corticoesteroides. Eficaz em muitos casos, é uma excelente modalidade de tratamento, principalmente para os casos que ocorrem durante a amamentação e nos casos de início recente. Pode ser associado ao uso da órtese. Entretanto, não é isento de risco. Pode ocorrer despigmentação da pele, necrose de gordura subcutânea e ruptura tendínea. Mas as complicações não são comuns. Podem sem tentadas 2 infiltrações, casos não haja melhora ou haja recidiva dos sintomas, é melhor proceder com o tratamento cirúrgico.
  • CirurgiaMétodo mais eficaz, mas nem sempre é necessário. É melhor indicada nos casos mais severos e naqueles casos que não houve melhora com as outras modalidades de tratamento. Muitas vezes existem duplicações ou triplicações dos tendões que passam no primeiro túnel o que diminui muito a chance do tratamento não cirúrgico ser efetivo, tornando a cirugia a melhor opção.
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